Paróquia Santa Rita de Cássia - Campo Grande-MS.

Quarta-feira de Cinzas

Visão geral sobre a Quaresma

Ter-se-á sempre em vista que a Quaresma constituía preparação para o Tríduo Pascal da Paixão-Morte, Sepultura e Ressurreição do Senhor Jesus, celebrado de Quinta-feira à noite até o Domingo da Ressurreição. Sendo assim, a Quarta-Feira de cinzas abre este tempo de conversão e de penitência, fazendo a proposta da observância quaresmal da oração, do jejum e da esmola. Neste tempo, Jesus é apresentado como modelo da vida de penitência dos cristãos. O Jesus que jejuam, o Jesus que se dedica à oração, dever ser visto a luz do Cristo transfigurado. Toda a caminhada da conversão dos cristãos só tem sentido à luz da ressurreição pregustada no Monte Tabor.

 Este dia e a sexta-feira santa são os únicos dias em que é pedido a todos os adultos que jejuem, isto é, que renunciem a uma das refeições importantes do dia, em sinal de disponibilidade e solidariedade. Disponibilidade à escuta de Deus, demonstrando dar mais valor à sua palavra que ao bem-estar imediato, sinal de conversão do coração; isto é que significa o jejum dos cristãos, como o Mestre no início de sua missão. Um jejum mais sensível neste dia, mas que se prolongará por todo o tempo da Quaresma, com outras iniciativas pessoais de desapego, renúncia às comodidades e satisfação mesmo legítimas, para maior liberdade interior. Assim o jejum ritual, feito com interioridade e não por mero formalismo, se torna sinal de fé e caminho de salvação para todo o nosso ser.

Por outro lado, sofrendo um pouco de privação, saibamos unir-nos de algum modo aos homens para os quais é habitável a privação de alimento, de meios econômicos, de bens culturais e de possibilidades concretas de desenvolvimento; o jejum se torna um gesto simbólico, denúncia profética da injustiça que nasce do egoísmo, solidariedade com os mais pobres. Assim, a preparação para a Páscoa se torna “Campanha da Fraternidade”, e a cada ceia do Senhor um gesto de pobreza, contrição, esperança, anuncio. Quem participa seriamente da paixão do Senhor, ainda hoje viva nos pobres da terra que a volta ao Pai (tanto a sua como a da comunidade) já começou, e que na mortificação da carne pode florescer o Espírito e da ressurreição e da vida.

Ressuscitar da Cinzas
Quarenta dias antes da Páscoa, a Igreja abre solenemente o tempo de penitência, chamado Quaresma, em preparação para a Celebração da Páscoa. É a Quarta-Feira de Cinzas.
Neste dia, após a liturgia da Palavra, em que se proclama o trecho do Evangelho em que Jesus recomenda a oração, o jejum e a esmola como exercícios de conversão (cf. Mt 6, 1-18), realiza-se o rito da imposição das cinzas. Elas são sinal de penitência, no sentido de conversão.  A conversão consiste sobretudo no reconhecimento de nossa condição de criaturas limitadas, mortais e pecadoras. No gesto de imposição das cinzas sobre a cabeça das pessoas, o sacerdote ou o ministro diz: “Convertei-vos e crede no Evangelho”! A conversão consiste em crer no Evangelho, na pessoa de Jesus como enviado do Pai para no salvar, perdoando nossos pecados com sua morte na cruz. Crer é aderir a Ele, viver segundo os ensinamentos de Jesus. Pode-se usar ainda a formula tradicional: “Lembra-te que és pó e ao pó hás de voltar.” Numa das orações de bênçãos das cinzas se diz: “Reconhecendo que somos pó e que ao pó voltaremos, consigamos, pela observância da Quaresma, obter o perdão dos pecados e viver uma vida nova, à semelhança do Cristo Ressuscitado”.

A origem das cinzas usadas tem um significado. Elas são preparadas pela queima das palmas usadas na procissão de Domingo de Ramos do ano anterior. Lembram, portanto, o Cristo vitorioso sobre a morte. A palma é símbolo de vitória e de triunfo. Assim, se os cristãos aceitam reconhecer sua condição de criaturas mortais, e transforma-se em pó, ou seja, passar pela experiência da morte, a exemplo de Cristo, pela renúncia de si mesmos, participarão também da vida que ressurge das cinzas. Aqui vale a pena lembrar uma lenda egípcia. Fênix era uma ave fabulosa que durava muitos séculos e, queimada, renascia das próprias cinzas. Foi fácil perceber que ela é símbolo da ressurreição de Cristo e dos que aceitam viver na atitude de Cristo.
Certamente não é fácil aceitar ser cinza. Contudo, a fé em Jesus Cristo Ressuscitado faz com que a vida renasça das cinzas. Jesus Cristo faz brotar a vida, onde o ser humano reconhece sua condição de criatura necessitada da ação de Deus. É entrar na atitude pascal. Esta Páscoa se vive na conversão, através dos exercícios da oração (eu e Deus), do jejum (eu comigo mesmo) e da esmola (eu com meus irmãos).  A imposição das cinzas não constituem um mero rito a ser repetido a cada ano. É a celebração da vocação do ser humano, chamado a imortalidade feliz. Contanto que realize o mistério Pascal: Paixão, Morte e Ressurreição já na vida terrena.

Evangelho deste ano
Estamos no ano litúrgico B, onde estamos meditando o Evangelho de Marcos. Ele vai nos ajudar a ver que sobressai o mistério da pessoa humana em Cristo e por Cristo, através da penitência. Seguindo o Cristo no mistério da cruz, o cristão participará de sua ressurreição. Os Evangelhos são novamente de João: a restauração do Templo (o Corpo de Cristo), Jo 12, 13-25; o Cristo exaltado na cruz para a salvação do mundo, Jo 3, 14-21; o grão de trigo que precisa morrer para produzir fruto, Jo 12, 20-33. As leituras apresentaram tópicos da aliança de Deus com seu povo. Estejamos atentos para dar também nossa resposta de fé e conversão.