Paróquia Santa Rita de Cássia - Campo Grande-MS.

III Domingo da Páscoa!

I leitura: At 3,13-15. 17-19
Sl 4
II leitura: I Jo 2,1-5ª
Evangelho: Lc 24, 35-48


Deus ressuscitou Jesus dos mortos!
Jesus de Nazaré foi crucificado sob Pôncio Pilatos, mas Deus  o ressuscitou; este fato importantíssimo é o centro do cristianismo. Os apóstolos têm consciência de que sua missão consiste em dar testemunho – com palavras e com a vida – do Cristo, ressuscitado segundo as Escrituras. Essa referencia é fundamental, porque realiza a esperança messiânica na pessoa de Jesus, desde o batismo de João até a glorificação. A meditação da comunidade cristã descobre nos acontecimentos da vida de Jesus a atualização das profecias: ele é o Messias, o servo fiel, o salvador dos seus irmãos, o santo e o justo “preso, renegado” e morto. Sua morte, “escândalo para os judeus” que não compreenderam sua missão, ilumina com uma luz nova todo o plano de Deus em favor de seu povo; um plano misteriosamente velado nas palavras proféticas, que por sua vez já interpretam em termos de restauração e ressurreição do povo, humilhado pelas derrotas e pelo exílio, os antigos prodígios de Deus.


Ressuscitados com Cristo
Mas o que os profetas anunciavam com linguagem alegórica em favor do “resto” fiel do povo eleito, Deus cumpriu  de modo real pelo homem Jesus de Nazaré, em resposta à sua obediência. Desse modo, a libertação da morte, a salvação  do pecado, a plenitude de vida, a participação no senhorio de Deus, tão estranhas à condição natural do homem, mostram-se como dom gratuito do Pai Áquele que é cabeça do novo Israel, primogênito da Igreja.  A ressurreição dos mortos é igualmente o dom do Pai a quem quer que professe a fé em Jesus, Homem-Deus: ressurreição anunciada com o sacramento fundamental da conversão (o batismo), com o perdão dos pecados, e definitivamente realizada no pleno acabamento do Reino, pela força do mesmo Espírito que dá a vida ao corpo ressuscitado do Senhor e ao seu corpo em construção, que é a Igreja.


Começa um mundo novo
A ressurreição de Cristo se insere não só no centro do cristianismo, mas no próprio centro da história. Com a ressurreição se realiza em Cristo, por antecipação, a sorte que nos espera como nosso futuro; em Jesus ressuscitado se realiza aquela plenitude que todo homem busca em sua vida. A ressurreição confirma que a esperança apocalíptica de “novos céus e nova terra” não é fantasia de visionários. A ressurreição de Cristo é a aurora do mundo novo, da nova criação, que levará a plenitude as aspirações de amor, de justiça, de paz, de solidariedade que estão latentes na tecedura desse nosso velho mundo. Essa ressurreição do Senhor não deve, pois, ser separada e desarraigada da história do universo, da nossa história real e cotidiana onde tem suas raízes. Não há ruptura entre a história de Deus e a história do homem, entre a “historiada salvação” e uma história que se desenrola unicamente nos parâmetros humanos, fora da órbita salvífica.  Há uma só história, e está nas mãos de Deus, que a dirige e conduz, respeitando misteriosamente o esforço e a iniciativa do homem.


Uma Igreja em tensão para o futuro
A ressurreição de Cristo se inscreve nessa única história. Dela é parte viva, começa desde já a fermentar o mundo e a impeli-lo paraa meta última de sua plenitude escatológica. A ressurreição de Cristo abre, portanto, o tempo da esperança, que vive dessa tensão entre a antecipação já verificada em Cristo ressuscitado e a realização plena que nos espera. É o tempo da Igreja, que dá testemunho do Reino que vem. Uma Igreja solidamente enraizada no passado e simultaneamente toda voltada para o futuro, toda em atuante expectativa, toda cheia de esperança, a esperança que guia e estimula seu impacto sobre as realidades terrenas. Não uma Igreja fechada em seu “esplendido isolamento”, alheia á dolorosa fermentação da sociedade e do homem; mas uma Igreja pioneira, caminhando para o futuro de todo o gênero humano. Uma Igreja que vive no hoje-e-aqui a sua fé, esperança e caridade, em uma criatividade genial e sempre nova, porque sabe que o mistério da encarnação é um mistério pascal, que deve fazer passar da morte para a vida toda realidade e atividade humana, libertando-a de todo mal e levando-a à plenitude no Cristo.