Paróquia Santa Rita de Cássia - Campo Grande-MS.

4º Domingo da Quaresma



Deus é fiel à Aliança
A crise e o fracasso político de Israel são encarados em nível religioso, seja como conseqüência de um infidelidade do povo ao desígnio de Deus e de uma falta de confiança em sua proteção, seja como uma provação, da qual sairá um nação renovada. O afastamento do Senhor adquire, pois um valor pedagógico: ele, que é fiel e misericordioso, não abandona os seus, mas só chama, através da variedade dos acontecimentos, à conversão e à obediência sincera. É um acontecimento clamoroso, como a destruição da cidade e do templo pelas mãos de um pagão, que faz voltar seus corações a Deus e a um culto verdadeiro, já que não bastam os profetas que lembram as exigências do pacto com Deus. E, para demonstrar o primado da iniciativa divina sobre todo o esforço puramente humano, é um pagão o instrumento escolhido para a restauração da nação e do templo.

Deus permanece fiel apesar do nosso comportamento
Somos chamados a ter uma “visão teológica”: procurar compreender a história com o olhar de Deus. A principio parece deixar de lado a responsabilidade humana, representa porém uma purificação e uma indicação sempre válida: é preciso uma nova capacidade de escuta para compreender á fidelidade de Deus com a infidelidade sempre renovada, adequada aos tempos.
Fica assim evidente que deve ter o homem diante dos acontecimentos que vive e dos quais é protagonista. Deve saber acolher, em sua fatualidade, a “palavra” de Deus. Fazer a verdade é compreender esta palavra. Crer em Cristo é reconhecer a luz que dá sentido ao que acontece. Isto não é uma conquista nossa, é um dom de Deus, dom que, fazendo-nos compreender sua vontade, salva-nos e o que diz o evangelho e a II leitura. Toda a nossa vida e a história adquirem sentido, definem um plano que se realiza no tempo.

Também hoje Deus nos dirige a palavra
Na verdade, os protagonistas e as testemunhas de um acontecimento têm em geral grande dificuldade em discernir nele os elementos significativos, e ficam cegos quando deveriam captar fielmente o sentido dos acontecimentos e orientá-los. Também hoje há quem lamente a destruição dos privilégios – das instituições cristãs -, e não saiba ver o valor profundo dessa situação, suscetível de uma leitura aberta e cheia de esperança. Se a Igreja não goza mais de privilégios e atenções, se caminhamos para uma nova situação de “diáspora”, é o momento da fidelidade interior, do apoio que vem não mais de uma sociedade cristã, mas de pequenas comunidades que encontram sua força na meditação da palavra de Deus. É uma esperança lúcida e penosa numa nova primavera da Igreja, cujo tempo e cujas modalidades estão nas mãos de Deus.
O desaparecimento de um regime de cristandade não pode ser considerado um abandono de Deus. Enquanto exige uma decisão de fé mais pessoal e livre, permite afastar-se criticamente da opinião e da mentalidade comum do ambiente social, e tomar, em relação a ele, uma posição crítica que pode exprimir maior fidelidade a Deus. O declínio da cristandade e de certa manifestação da fé significa o desaparecimento de Deus. Pode ser simplesmente o desaparecimento de certos pressupostos que não podem identificar com a essência da fé. Essa nova situação em que vivemos é um convite de Deus a uma fé madura, responsável, consciente da entrega a ele.

Mas se o homem não é fiel...
Dês esta sempre á procura do homem, perseguindo-o. “Tu me caças como a um leão”, exclama Jó no seu tormento. É como se Deus não quisesse permanecer sozinho e houvesse escolhido o homem para ajudá-lo. “Adão, onde estás?”, chamava Deus ao primeiro homem, que se escondia entre as árvores do paraíso terrestre depois do pecado. Esse chamado nunca mais cessou na floresta da história da humanidade. Deus permanece fiel ao homem. Busca-o em todas as suas fugas, porque o amava como só Deus pode amar, com a força e a ternura de um Pai que é movido por um amor infinito. Hoje, como ontem, o problema do homem consiste em fugir desse Deus que o busca. É o homem que se esconde. Deus não cansa de segui-lo.