Paróquia Santa Rita de Cássia - Campo Grande-MS.

 7º Domingo do Tempo

Comum - cor verde

Queridos e amados irmãos em Cristo Senhor!
Estamos iniciando assim, a publicação de uma pequena reflexão sobre a liturgia de todos os domingos para nos ajudar na reflexão das leituras sugeridas para cada final de semana, onde é desenvolvido um tema.  A liturgia da Palavra deste final de semana vai nos falar da misericórdia. Acompanhamos a reflexão.
A misericórdia!
Quando o homem adquire a consciência de ser indigente e pecador, então lhe será revelada a face da misericórdia de Deus. De fato, o homem é profundamente pecador. Suas relações com Deus são marcadas muito frequentemente pelo pecado. E o que é o pecado? O Catecismo da Igreja Católica (CIC), define o pecado assim:
“O pecado é uma falta contra a razão, a verdade, a consciência reta; é uma falta de amor verdadeiro para com Deus e para com o próximo, por causa de um apego a certos bens. Fere a pureza do homem e ofende a solidariedade humana. Foi definido como uma “palavra, um ato ou um desejo contrários à lei eterna.”.
O pecado é uma ofensa a Deus: “Pequei contra ti, contra ti somente; pratiquei o que é mau aos teus olhos(Sl 50,6). O pecado ergue-se contra o amor de Deus por nós e desvia dele nossos corações. Como o primeiro pecado, é uma desobediência, uma revolta contra Deus, por vontade de tornas-se “como deuses”, conhecendo e determinando o bem e o mal (Gn 3,5). O pecado é, portanto, “amor a si mesmo até o desprezo de Deus.”Por essa exaltação orgulhosa de si, o pecado é diametralmente contrário AA obediência de Jesus, que realiza a salvação.
É justamente na paixão, em que a misericórdia de Cristo vai vencê-lo, que o pecado manifesta o grau mais lato de sua violência e de sua multiplicidade: incredulidade, ódio assassino, rejeição e zombarias da parte dos chefes e do povo, covardia de Pilatos e crueldade dos soldados, traição de Judas, tão dura para Jesus, negação de Pedro e abandono da parte dos discípulos. Mas, na própria hora das trevas e do príncipe deste mundo, o sacrifício de Cristo se torna secretamente a fonte de onde brotará inesgotavelmente o perdão de nossos pecados. (Cf. CIC, 1849-50)
O pecado atravessa toda a história da humanidade
A Bíblia nos descreve a história humana e a história de Israel como uma contínua volta ao pecado original e ao pecado do deserto. Em lugar de andar nos caminhos de Deus, o homem percorre seu próprio caminho e se afasta de seu Deus. Mas Deus não abandona seu povo, como não se esquece da humanidade. Antes, paradoxalmente, é no momento preciso do pecado do homem que Deus revela mais profundamente o mistério de sua “ternura”. É o que vemos no livro do Êxodo: “ O Senhor, o Senhor, Deus misericordioso e compassivo, lento à cólera e rico em graça e fidelidade, que conserva seu favor  por mil gerações”(Ex 34, 6-7). Ou ainda o Salmo 102: “Como um api tem piedade de seu filho, assim o Senhor tem piedade dos que o temem. Porque ele sabe de que somos feitos, lembra-se de que somos pó (Sl 102, 13-14).
De fato, ao longo da história sagrada, Deus revela que, devendo castigar o povo que pecou, é tomado de misericórdia logo que este clama a ele do fundo de sua miséria. “Meu coração se comove dentro de mim, meu intimo treme de compaixão. Não darei largas ao ardor da minha ira”( Os 11, 8-9).
Nesta linha coloca-se a missa de Jesus. Ele veio revelar a face misericordiosa do Pai, que cura e perdoa. Para além do mal físico, Jesus cura o mal espiritual, causa do outro, Não veio para dar celebridade; veio buscar e salvar os que estavam perdidos por causa do pecado (evangelho).
Só Deus pode perdoar os pecados
O milagre que Jesus faz ao paralítico é prova de sua divindade (quem pode perdoar os pecados a não ser somente Deus?)... mas é sinal da radical eficácia do seu perdão: um perdão que renova completamente. O passado pesa, o pecado prostra, os homens se lembram do mal. Mal Deus esquece e, quando cura, o faz radicalmente. Não restaura, mas cria de novo. Perdoa os pecados, cancela-os, lança-os para trás de si, não mais se lembra deles. Eis o que faz Cristo no paralítico: uma nova criação. É o que diz a primeira leitura: “eu cancelo os teus crimes, por mim mesmo, não me lembro mais de teus pecados. Eis que faço uma coisa nova”.
Pecado e perdão postos em questão
Á medida que o homem moderno perde o sentido de Deus, põe em questão as categorias cristã do pecado e do perdão. O maior pecado do nosso tempo- foi dito- é que o homem perdeu o sentido do pecado, e, conseqüentemente, a necessidade de perdão e de misericórdia. Enquanto o Deus do homem moderno é apenas uma falsa imagem do Deus de Jesus Cristo, também a concepção da realidade especificamente cristã da miserricórdia e do perdão.
Em verdade, existiram e ainda existem deficiências quanto a uma idéia precisa de pecado. Temos insistido demasiadamente sobre a materialidade do ato que chamamos pecado, sobre uma rígida classificação, um certo legalismo, uma preocupação quantitativa; negligenciando as causas, dando pouca atenção às atitudes e opções  fundamentais, insistindo quase morbidamente sobre certos setores da moral; reduzindo o pecado a um gesto individual e menosprezando a dimensão social e comunitária; esquecendo-nos das culpas coletivas ligadas ao nosso comodismo, e secretas convivências com instituições ou sistemas apressores...
Deve-se acrescentar ainda a concepção dos que pensam obter o perdão de maneira semimágica, sem as disposições necessárias. A crise atual com relação ao sacramento da penitência pode revelar-se providencial, se libertar o cristão de uma série de esclerosamentos inúteis e perigosos, ajudá-los a reduzir-se ao essencial nos ritos e a voltar ao justo sentido do pecado. Uma concepção demasiado restrita da sacramentalidade levou o cristão a limitar indevidamente ao sacramento da penitência o exercício do poder sacramental do perdão confiado a Igreja. Hoje, redescobrimos o valor originariamente penitencial da eucaristia no seu conjunto e em alguns de seus ritos particulares.
Um bom domingo e uma semana abençoada a todos! Possamos entrar com este espírito o tempo da quaresma. Para finalizar, deixo as palavras belas do Sl 40: “Feliz de quem pensa no pobre e no fraco: o Senhor o liberta no dia do mal! O Senhor vai guardá-lo e salvar sua vida, o Senhor vai torná-lo feliz sobre a terra, e não vai entregá-lo a mercê do inimigo”( Sl 40, 2-3)